O empresário brasileiro detesta correr riscos. E estamos, obviamente, diante de uma tecnologia que tem muitos atrativos, inclusive econômico, mas é uma tecnologia nova, ainda não testada
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Veja o que já enviamosO trem de levitação magnética foi desenvolvido para ser uma alternativa de transporte em centros urbanos: o veÃculo da Coppe foi planejado para levitar sobre passarelas, dispensando as obras civis dos metrôs e trens de superfÃcie convencionais. “Pelos nossos cálculos, o custo de implantação por quilômetro é um terço do valor necessário para implantação de um metrô subterrâneo na mesma extensão”, afirma o professor Richard Stephan, destacando ainda a vantagem urbana sobre os trens de superfÃcie e mesmo o VLT. “As linhas de trem do subúrbio foram dividindo a cidade, os bairros; e o VLT, de certa forma, faz o mesmo. O MagLev, por usar vias elevadas, não separa a cidade”, argumenta.
O coordenador do projeto também lembra das vantagens ambientais do trem de levitação magnética: ele tem operação silenciosa – já que não há contato com trilhos – e não emite poluentes pois é movido à energia elétrica da rede convencional. No caso da linha experimental construÃda na Cidade Universitária, o veÃculo é alimentado por quatro painéis de energia solar fotovoltaica. Em lugar das rodas, o trem da Coppe tem sapatas com cerâmicas supercondutoras resfriadas com nitrogênio lÃquido â a 196 graus centÃgrados negativos, a cerâmica adquire a propriedade de repelir um campo magnético gerado nos trilhos, fazendo o veÃculo deslizar. “São grandes vantagens em relação ao sistema roda-trilho”, assegura o professor Richard Stephan.
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Desde 2016, já viajaram pela linha experimental do Maglev-Cobra na Ilha do Fundão mais de 15 mil pessoas: alunos, professores, estudiosos, visitantes. O veÃculo da Cidade Universitária liga os dois prédios do CT a 10 Km/h, mas, nas cidades, o trem de levitação magnética teria velocidade média de 70 km/h e poderia chegar a 100 km. No desenho feito pelos pesquisadores que trabalharam no projeto, cada trem teria quatro módulos com 30 passageiros cada – o veÃculo experimental leva 20 passageiros. “O desafio, agora, é dar escala industrial ao projeto. Precisamos de empresas que queiram investir em produzir os veÃculos, os motores, os equipamentos”, explica o coordenador do Laboratório de Aplicações de Supercondutores.
O professor Richard Stephan admite que não é um desafio fácil de ser superado. “O empresário brasileiro detesta correr riscos. Estamos, obviamente, diante de uma tecnologia que tem muitos atrativos, inclusive econômico, mas é uma tecnologia nova, ainda não testada”, comenta, acrescentando que há, entretanto, quem esteja interessado em parceria para dar escala industrial ao trem de levitação magnética. “Mas é um noivo difÃcil, daqueles que está esperando aparecer um bom dote para que saia o casamento. Não sei se vai aparecer um tio rico para dar esse dote neste momento”.
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