O Brasil passou por grandes transformações econômicas, sociais e demográficas nas últimas décadas. As transições urbana e demográfica possibilitaram avanços na conquista dos direitos de cidadania das mulheres e mudanças na configuração dos arranjos familiares. Este processo abriu espaço para uma mudança das relações de gênero no seio das famÃlias e gerou um grande aumento do número e do percentual de mulheres chefes de famÃlia.
[g1_quote author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”solid” template=”01″]Entre os casais sem filho, o número de mulheres chefes passou de 339 mil, para 3,1 milhões, entre 2001 e 2015, um aumento expressivo de 822%, em 15 anos
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Veja o que já enviamosHouve um aumento quantitativo e qualitativo no montante de mulheres chefes de famÃlia no Brasil nos primeiros 15 anos do século XXI. Enquanto o total de famÃlias brasileiras aumentou 39% em 15 anos, passando de 51,5 milhões, em 2001, para 71,3 milhões, em 2015, as famÃlias chefiadas por homens aumentaram somente 13%, passando de 37,4 milhões para 42,4 milhões. O número de famÃlias chefiadas por mulheres dobrou em termos absolutos (105%), subindo de 14,1 milhões, em 2001, para 28,9 milhões, em 2015. Em termos percentuais, o total de famÃlias chefiadas por homens diminuiu de 72,6%, em 2001, para 59.5%, em 2015, enquanto o percentual de famÃlias chefiadas por mulheres subiu de 27,4% para 40,5%, no mesmo perÃodo.
Nas últimas três décadas do século XX, o aumento da chefia feminina ocorreu, fundamentalmente, em arranjos familiares de núcleo uniparental ou unipessoal: famÃlia monoparental feminina (mulher com filho e/ou outros parentes e agregados, mas sem cônjuge)  e pessoas morando só. Nestes dois casos, a chefia feminina ocorre, automaticamente, devido à ausência de um marido ou companheiro. No caso dos arranjos familiares de núcleo duplo (marido e esposa), a percentagem de mulheres chefes era muito pequena, quase residual.
Porém, este quadro mudou no século XXI. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de DomicÃlios (PNAD), do IBGE, o crescimento das mulheres chefes de famÃlia no arranjo monoparental passou de 9 milhões, em 2001, para 11,6 milhões, em 2015 – um aumento de 20% em 15 anos. O crescimento no arranjo unipessoal passou de 2,3 milhões para 5,2 milhões – aumento de 124% entre 2001 e 2015. O crescimento da chefia feminina no arranjo casal com filhos, foi de 1 milhão, em 2001, para 6,8 milhões em 2015 – um aumento de 551% em 15 anos â e entre os casais sem filho, o número de mulheres chefes passou de 339 mil, para 3,1 milhões, entre 2001 e 2015 – um aumento expressivo de 822% em 15 anos. Desta forma, nas famÃlias de núcleo duplo (casais com e sem filho), o percentual de mulheres chefes de famÃlia passou de 4%, em 2001, para 22,5%, em 2015.
[g1_quote author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”solid” template=”01″]Sem dúvida, existe uma mudança cultural que tem valorizado o papel das mulheres na sociedade e na famÃlia, contribuindo para o maior reconhecimento da responsabilidade feminina no lar
[/g1_quote]Estes e outros dados foram analisados no livro âMulheres Chefes de FamÃlia no Brasil: Avanços e Desafiosâ, escrito pelos demógrafos Suzana Cavenaghi e José Eustáquio Alves e publicado pela Escola Nacional de Seguros, neste mês de março de 2018. O estudo (que está disponÃvel gratuitamente), indicou que o percentual da chefia feminina tende a aumentar com os maiores nÃveis de educação e maiores taxas de participação no mercado de trabalho. Porém, o percentual de chefia feminina também aumenta, mesmo nos casos em que as mulheres possuem menores rendimentos oriundos de todas as fontes pessoais de renda e quando passam muitas horas semanais em afazeres domésticos. Sem dúvida, existe uma mudança cultural que tem valorizado o papel das mulheres na sociedade e na famÃlia, contribuindo para o maior reconhecimento da responsabilidade feminina no lar.
Portanto, o grande crescimento da chefia feminina entre 2001 e 2015 não se deve apenas aos fatores clássicos de empoderamento feminino â como a educação e o emprego â, mas também aos indicadores de maior envolvimento com as responsabilidades domésticas. Fica claro que o atual aumento da chefia feminina não pode ser associado automaticamente e exclusivamente aos processos de exclusão e vulnerabilidade social e muito menos à perspectiva da feminização da pobreza.
Em sua formação social histórica, o Brasil foi organizado na base de relações desiguais de poder e em estruturas hierárquicas e androcêntricas de famÃlia. Mas, embora ainda se possam encontrar hoje em dia resquÃcios da antiga famÃlia patriarcal brasileira, a dominação masculina absoluta não é mais a regra e o paÃs passa por um consistente processo de despatriarcalização. Do ponto de vista legal, a Constituição Federal de 1988 foi um divisor de águas e possibilitou que a legislação ordinária avançasse rumo a uma maior equidade de gênero. Em termos econômicos e sociais, os avanços também foram tremendos entre 1950 e 2013.
[g1_quote author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”solid” template=”01″]Espera-se que essa crise econômica conjuntural não afete as transformações estruturais de longo prazo, pois o Brasil está nos quinquênios finais do seu bônus demográfico e precisa aproveitar essa janela de oportunidade para dar um salto na qualidade de vida da população e na redução das desigualdades entre homens e mulheres
[/g1_quote]Mas a recessão econômica que começou no segundo trimestre de 2014 â tornando-se uma das mais longas e profundas da história do Brasil â tem provocado recuos no grau de inserção das mulheres na educação e no mercado de trabalho, reduzindo as oportunidades de ascensão social. Espera-se que essa crise econômica conjuntural não afete as transformações estruturais de longo prazo, pois o Brasil está nos quinquênios finais do seu bônus demográfico (época em que existe um alto percentual de pessoas em idade produtiva) e precisa aproveitar essa janela de oportunidade para dar um salto na qualidade de vida da população e na redução das desigualdades entre homens e mulheres.
Como disse Charles Fourier, em 1808: âO grau de emancipação da mulher numa sociedade é o barômetro natural pelo qual se mede a emancipação geral de um povoâ. Existe uma multiplicidade de causas individuais e sociais que se somam para reordenar a estrutura de poder no seio das famÃlias brasileiras. Quer seja por oportunidades, fatalidades ou conveniências diversas, o fato é que tem crescido a chefia feminina e há uma tendência para maior equidade de gênero entre os arranjos familiares brasileiros. Porém, uma justa e completa equidade de gênero ainda é uma meta a ser conquistada ao longo do século XXI.

Bom material, eu faço parte dessa estatÃstica. Outro ponto interessante, é que os homens, até discordam que as mulheres sejam as “chefes” de casa, mas muitas vezes, são elas que provê todas as despesas da casa.
Os homens se aproveitam da conjuntura econômica, “crise”, polÃtica… E não correm atrás de oportunidades, em algum lugar elas estão.
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Eu quero só saber a resposta