Metade das capitais brasileiras amanheceram nesta quarta (13/09) com obras de arte de rua sobre a importância de ter uma mulher negra como ministra no Supremo Tribunal Federal. à a Mostra âJuÃzas Negras Para Ontemâ, que convidou 24 artistas negros a produzirem cartazes que foram distribuÃdos pelas cidades, transformando as ruas em espaço de exposição democrático, aberto e acessÃvel a todos. As obras também estão disponÃveis no site da mostra.
Há obras expostas nas ruas de Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador, São LuÃs, Manaus, Curitiba, Porto Velho, Maceió, Teresina, Porto Alegre e BrasÃlia. âTer uma mulher negra no STF é uma questão de Justiça. Ocupar esse espaço de poder é uma ação de enfrentamento de injustiças históricas e um passo na reparação. Não faz sentido que a suprema corte do Poder Judiciário não tenha representação equivalente ao que é o povo brasileiro. Desde o perÃodo colonial, o Brasil mantém a subalternização e excludência de pessoas negrasâ, afirma Nina Vieira, diretora de arte que fez a curadoria da mostra e integra o Manifesto Crespo, coletivo sobre identidades, gênero e práticas antirracistas.
Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosSegundo dados do IBGE, 56% dos brasileiros se identificam como pretos e pardos e quase um terço da população é de mulheres negras (28%). âAs obras que integram esta Mostra não deixam dúvidas que existe uma demanda pulsante na sociedade por mais igualdade de raça e gênero no STFâ, acrescenta Nina Vieira. Nos seus 132 anos, o STF teve apenas três ministros negros e três ministras mulheres â estas, todas brancas. Nunca um presidente nomeou uma mulher negra para o STF. Essa desigualdade de raça e gênero no Supremo reproduz o que se vê no sistema judiciário brasileiro como um todo: apenas 7% dos magistrados de primeira instância e 2% na segunda instância são mulheres negras. A mostra não é uma ação isolada.
Todas as obras que integram a mostra âJuÃzas Negras para Ontemâ foram impressas e afixadas nas ruas. A gaúcha Mitti Mendonça, uma das artistas, explica seu processo criativo: âPara a concepção, parti da ideia de ocupar lugares de poder e de decisão, colocando uma mulher negra em uma posição de destaque e em contraponto com uma cadeira vazia, dialogando sobre a importância de termos representantes no STF. A paleta de cores propositalmente remete à s da bandeira do Brasil, pois o conjunto estabelece ligação direta com a polÃtica, para quem passa na rua já ter essa leitura do que se trata a questão. Além disso, a balança – um dos sÃmbolos da justiça”.
Nas últimas semanas, outras ações de movimentos sociais, celebridades e lideranças polÃticas também demandaram do presidente Lula essa indicação: a ministra Rosa Weber, hoje presidente do STF se aposenta no fim de setembro. Entidades da luta por direitos da população negra também lançaram a campanha â#PretaMinistraâ, com o objetivo de gerar impacto e reflexão sobre a ausência de uma ministra negra no Supremo Tribunal Federal (STF), em BrasÃlia.
Como parte do movimento, um vÃdeo está sendo espalhado pelas redes sociais e foi exibido em um telão na Times Square, famoso ponto na cidade de Nova York (EUA) no começo da semana. O vÃdeo, produzido pelo Instituto de Defesa da População Negra (IDPN) e pela Coalizão Negra por Direitos tem narração de TaÃs Araújo e as personagens são interpretadas pelas atrizes Mariana Nunes e Lua Miranda. Começa com a frase âela tem um sonhoâ e, depois, a menina Lua, de seis anos, diz: âQuando eu crescer, quero ser ministra do STFâ; no encerramento, a lembrança com uma provocação ao presidente: âNunca antes na história desse paÃs, uma menina negra conseguiu realizar esse sonhoâ.
