Os campeões da falta d`água

Ranking é encabeçado por Tóquio e Nova Déli. O Rio aparece em nono lugar

Por Agostinho Vieira | ODS 11ODS 13ODS 6 • Publicada em 15 de outubro de 2015 - 19:27 • Atualizada em 5 de novembro de 2015 - 11:39

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Não são só as nossas grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro que enfrentam a ameaça de racionamento e correm o risco de ficar sem água na torneira.  Um ranking feito pela ONG The Nature Conservancy mostrou que essas metrópoles contam com a companhia de cidades de muito peso neste pesadelo hídrico. A lista é encabeçada por Tóquio, no Japão, onde o problema é tão grave que as pesquisas e projetos de dessalinização da água do mar estão se tornando cada vez mais prioritários, apesar do custo altíssimo.

O estudo, publicado pelo site “Inhabitat”, revela que uma em cada quatro cidades do mundo já vive sob stress hídrico. Situação que ocorre quando a procura de água por habitante é superior à capacidade de oferta da região. Além de Tóquio, a relação inclui regiões metropolitanas importantes, como Nova Deli, Cidade do México, Pequim, Istambul, Moscou e Los Angeles. O Rio de Janeiro, que é totalmente dependente das águas do rio Paraíba do Sul, aparece em nono lugar numa lista das 20 cidades mais ameaçadas.

E a situação só tende a piorar. Até 2050 o mundo terá nove bilhões de habitantes, sendo que mais de um terço deste total fará parte da chamada classe média. O que aumentará muito a pressão por todo tipo de produto e a demanda por mais recursos naturais. Cálculos das Nações Unidas indicam que só o consumo de água deverá crescer cerca de 30%. Será necessário produzir 50% a mais de alimentos e 45% mais energia. Tudo isso sem considerar os efeitos que o aquecimento global pode provocar neste cenário.

O Brasil vive uma situação inusitada, pois concentra 12% de toda a água doce do planeta, mas ela é mal distribuída e maltratada. Mais de 70% destes recursos hídricos estão na Amazônia e o que sobra sofre com a falta de saneamento e com o desperdício. Um trabalho feito pela Agência Nacional de Águas (ANA), em 2013, mostrou que, dos 29 maiores aglomerados urbanos do país, 16 precisavam achar novos mananciais para garantir o abastecimento nos próximos anos.

Agostinho Vieira

Formado em Jornalismo pela Escola de Comunicação da UFRJ. Foi repórter de Cidade e de Política, editor, editor-executivo e diretor executivo do jornal O Globo. Também foi diretor do Sistema Globo de Rádio e da Rádio CBN. Ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo, em 1994, e dois prêmios da Society of Newspaper Design, em 1998 e 1999. Tem pós-graduação em Gestão de Negócios pelo Insead (Instituto Europeu de Administração de Negócios) e em Gestão Ambiental pela Coppe/UFRJ. É um dos criadores do Projeto #Colabora.

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