Chegou a US$ 85,8 bilhões o volume de investimentos feito por empresas brasileiras para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa nos últimos três anos. O levantamento do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds) contabilizou que 217,9 milhões de toneladas de CO2 deixaram de ir para a atmosfera. O próximo estudo, que está sendo feito em parceria com a WWF, vai responder a uma pergunta ainda sem resposta: qual o impacto dos investimentos na transição para uma economia de baixo carbono na geração de emprego e renda no Brasil. O resultado do trabalho será apresentado na COP-25, que vai ocorrer no Chile, em dezembro. As mudanças climáticas e o mundo do trabalho foi uma das discussões na Semana do Clima da América Latina e Caribe 2019, em Salvador.
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Veja o que já enviamosA Alemanha já tem essa resposta. Lá, um em cada 30 novos postos de trabalho criado está ligado à s mudanças climáticas. Chega a 1 milhão de pessoas trabalhando na prestação de serviços da proteção ambiental e na reestruturação energética dos edifÃcios. O número de patentes relacionado à superação da mudança climática vem crescendo duas vezes mais rápido do que de outras áreas. A recolocação dos mineiros que perderam emprego com o fim das minas de carvão, no esforço de transição energética feito pelo paÃs, mobilizou o governo. “As polÃticas climáticas já são um fator econômico nas decisões polÃticas do paÃs, comentou o primeiro-secretário para assuntos ambientais da Embaixada da Alemanha no Brasil, Montserrat Mir.
A cidade de Bottrop, no estado da Renânia do Norte-Vestfália, na região do Vale do Ruhr, é o exemplo mais emblemático de uma transição justa para uma economia de baixo carbono. Há praticamente duas décadas, a cidade vem se preparando para se despedir definitivamente das suas minas de carvão â a mineração sempre foi a atividade econômica mais importante da região do Vale do Ruhr. A última mina foi desativa em dezembro do ano passado e a cidade não se transformou na capital do desemprego. Ao contrário. Com 47 mil empregados, a taxa de desemprego é baixa: 7,3%.
[g1_quote author_name=”Tilman Christian” author_description=”chefe da divisão de planejamento ambiental da prefeitura de Bottrop” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Precisamos da ciência para educar os empregados para a próxima década
[/g1_quote]âPrecisamos da ciência para educar os empregados para a próxima décadaâ, sintetizou o chefe da divisão de planejamento ambiental da prefeitura de Bottrop, Tilman Christian, explicando que os trabalhadores foram treinados para mudar de áreas. Os setores de habitação, com empreendimentos ambientalmente sustentáveis, e mobilidade elétrica foram os escolhidos para absorver a mão-de-obra disponÃvel na cidade, após a desativação das minas.
Bottrop passou por um banho de loja e várias regiões da cidade ganharam novos projetos urbanÃsticos, sem falar numa nova universidade. âConstruÃmos este processo de transição juntando a ciência, a polÃtica, o setor privado e os trabalhadoresâ, completou Christian. Numa parceria público-privada, só o governo injetou US$ 182 milhões.
[g1_quote author_name=”Ana Toni” author_description=”diretora-executiva do iCS” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Os sindicatos precisam abraçar a causa da transição para uma economia de baixo carbono, porque eles serão inevitavelmente atingidos
[/g1_quote]A diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), Ana Toni, defende que a transição justa é absolutamente fundamental e é preciso olhar com atenção para os setores que vão perder empregos: “O setor do petróleo, do gás e do carvão vão perder. Mas, em compensação, em comparação com os paÃses intensivos em carbono, talvez aqui a transição possa ser mais amena”. Ainda assim, alerta: “Temos que ter bioeconomia criando empregos cada vez mais qualificados. Não se pode ir contra a história”. Num paÃs onde governo não reconhece as instituições de pesquisa, as mudanças climáticas e os direitos dos trabalhadores, como evitar a precarização do trabalho num processo de descarbonização da economia? Para esse questionamento, ainda não existe resposta, apenas o consenso de que capital e trabalho precisam sentar na mesma mesa. âOs sindicatos precisam abraçar a causa da transição para uma economia de baixo carbono, porque eles serão inevitavelmente atingidosâ, defende Ana.
Se é verdade que a transição para uma economia de baixo carbono vai criar novas oportunidade de emprego no mundo, para o secretário do Meio Ambiente da Central Ãnica dos Trabalhadores (CUT), Daniel Gaio, “boa parte da transição justa vai ser paga pelos paÃses do hemisfério Sul”, especialmente no atual momento do paÃs, com desemprego, pessoas em situação de rua, pobreza e da desigualdade em alta. “O mundo do trabalho não faz parte desta agenda das mudanças climáticas”, conclui o diretor técnico do Departamento Intersindical de EstatÃstica e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Clemente Ganz Lúcio, concluindo: “O maior desafio é justamente este, incluÃ-lo nessa agenda”.
Em julho último, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgou um estudo concluindo que as mudanças climáticas, o aumento do estresse térmico na agricultura e em outros setores industrial provocará perda de produtividade equivalente a 80 milhões de empregos até 2030. Diz o estudo que os paÃses mais pobres serão os mais afetados. No Brasil, essas perdas poderão chegar a 850 mil postos de trabalho.
