O cálculo é de Sara Menker, fundadora e CEO da Gro Intelligence, uma empresa de dados agrÃcolas globais. Menker tem um currÃculo sólido. Ela passou os primeiros anos de sua vida na Etiópia, onde nos anos 1980 a população passava fome, com alimentos racionados pelo governo. Se formou em economia e estudos africanos no Mount Holyoke College e na London School of Economics, fez um MBA na Columbia University, para chegar a vice-presidente de commodities na Morgan Stanley antes de completar 30 anos. E, enquanto trabalhava em Wall Street, se obcecou em saber como a produção de alimentos enfrentaria uma explosão na demanda.
[g1_quote author_name=”Sara Menker” author_description=”CEO da Gro Intelligence” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]A menos que nos comprometamos com uma mudança estrutural, a demanda irá ultrapassar a capacidade global do sistema, criando uma escassez de 214 trilhões de calorias, e quando isso acontecer as pessoas passarão fome e governos cairão
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Veja o que já enviamosNa Gro, Menker coleta todo tipo de dados sobre o sistema agrÃcola do mundo, desde os tipos de café mais lucrativos até a expansão das importações dos avocados no México. Sua empresa então usa os dados para descobrir os principais padrões e tendências, como o fato de que os preços dos grãos tendem a acompanhar as tendências do petróleo.
A escassez global de alimentos é definida como o peso das colheitas necessário para alimentar todos os seus cidadãos. Mas as palavras quilo e toneladas não traduzem bem o problema. O que mais importa, afirma Menker, são as calorias â que na verdade impedem as pessoas de passar fome. Mas mesmo essa métrica pode confundir. âO problema é tão grande que é fisicamente impossÃvel de ser processado por uma só pessoaâ, afirma.
A equipe de Menker usa métodos pouco ortodoxos para calcular as calorias. Mas, dados do clima comumente usados, diz, são difÃceis de entender, porque sempre estiveram nas mãos da comunidade cientÃfica. Ela ajuda os especialistas do mundo financeiro a digeri-los, e também mostrar porque os riscos do clima são realmente importantes.
A prática das âfazendas verticaisâ é um foco de interesse de Menker. Quando se pergunta sobre a preocupação com o clima neste caso, ela responde que o tipo de atividade é limitado a certas plantas, em especial as folhas verdes que, apesar de seus benefÃcios à saúde, não são muito calóricas. âFaz sentido criar folhas em estufa, mas não vai se resolver o problema do arroz deste jeitoâ, diz ela. A solução mais viável para a crise alimentar, afirma, ânão é sobrecarregar o sistema agrÃcola mundial, e sim torná-lo mais eficienteâ
LÃderes globais alertam para esta crise há mais de uma década, estimando que em 2050 o mundo terá de produzir 70% a mais de alimentos. Mas o ponto crucial poderá chegar antes â já em 2027. âA menos que nos comprometamos com uma mudança estrutural, a demanda irá ultrapassar a capacidade global do sistema, criando uma escassez de 214 trilhões de calorias, e quando isso acontecer as pessoas passarão fome e governos cairãoâ, estima Menker.
Até o momento, os déficits de calorias podem ser resolvidos com importações de regiões onde há superávit, mas isso em um futuro próximo não será mais possÃvel, porque a demanda irá exceder a capacidade de produção de regiões tradicionais. Regiões exportadoras incluem América do Norte, América do Sul e Europa, mas elas já usam quase toda a sua terra agricultável. No caso da América do Sul, o risco será à preservação da floresta amazônica. Ãndia e Ãfrica poderão fazer o papel de salvadoras.
Enquanto isso, os Estados Unidos jogam no lixo 141 trilhões de calorias por ano, quase um terço do que produzem. Parte da perda é inevitável, mas grande parte dela se dá por motivos cosméticos, com o varejo descartando o que não parece bonito o suficiente para consumo, ou porque os alimentos estragam na geladeira, o que significa pelo menos 20% das perdas.
