A polêmica envolvendo arte e nudez no Brasil agora chegou ao Facebook. Mas não apenas nos comentários, compartilhamentos e likes. Na manhã desta quarta-feira, 4 de outubro, os responsáveis pela rede social no Brasil decidiram tirar do ar um vÃdeo produzido pelo Projeto #Colabora que mostrava 11 quadros com nus artÃsticos criados por pintores famosos como Picasso, Dalà e Bosch. A publicação estava no ar desde segunda-feira, dia 2 de outubro, e já havia alcançado mais de 15 mil visualizações, centenas de compartilhamentos e dezenas de comentários.
âSão obras muito conhecidas, que estão expostas nos melhores museus do mundo, alguns valem milhões de dólares. O quadro âNu, folhas verdes e bustoâ, do Picasso, por exemplo, foi arrematado num leilão por mais de U$S 100 milhões. Não dá para entender essa decisão do Facebookâ, lamenta Agostinho Vieira, editor do site.
Procurado pelo #Colabora, até o inÃcio da tarde, o Facebook não havia se manifestado. A mensagem enviada para o projeto com a informação sobre a censura ao vÃdeo citava uma violação aos termos de uso: âVocê carregou um vÃdeo que viola os Termos de uso do Facebook. Após analisar o vÃdeo, decidimos removê-lo. O Facebook remove os vÃdeos denunciados como contendo mensagem de ódio, ameaçadores, com imagens explÃcitas de sexo e violência ou que agridam um indivÃduo ou grupo. Removemos também vÃdeos que não sejam pessoais, pois eles não foram criados por você e seus amigos e vocês não fazem parte dele. O uso indevido recorrente dos recursos do Facebook pode resultar na desativação de sua contaâ.
Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosTodos os quadros inseridos no vÃdeo estavam com os respectivos nomes, autores e datas em que foram pintados. Apesar de não deixar claro o que motivou a decisão, a censura da rede social certamente se baseou na reclamação de alguns usuários e acaba sendo mais um capÃtulo da polêmica envolvendo arte e nudez no Brasil. No inÃcio de setembro, a exposição âQueermuseuâ foi cancelada em Porto Alegre após protestos e ataques nas redes sociais e no interior do museu Santander Cultural. Algumas pessoas consideraram a mostra um “incentivo à pedofilia, zoofilia e contra os bons costumes”.
Na semana passada, a performance do artista Wagner Schwartz, no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, também gerou polêmica. Um vÃdeo que viralizou no Facebook mostrava uma criança de mais ou menos quatro anos, ao lado da mãe, tocando o pé de um homem nu. A performance chamada âLa Bêteâ foi inspirada em um trabalho de Lygia Clark. âBichosâ é considerada a obra viva da artista, pois sua intenção era de que a arte ultrapassasse os limites da superfÃcie de um quadro.
Em vÃdeo publicado nas redes sociais, o prefeito de São Paulo, João Doria, condenou o trabalho de Wagner Schwartz no MAM e a mostra “Queermuseu”. Para ele, as duas seriam âUma afronta ao direito, à liberdade e, obviamente, à responsabilidadeâ. O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, também pegou carona no factoide e proibiu a realização da exposição âQueermuseuâ no Rio: âAqui no Rio, a gente não quer essa exposição. Saiu no jornal que ia ser no MAR. Só se for no fundo do mar, porque no Museu de Arte do Rio, nãoâ.

O próprio filho da artista Lygia Clark (Eduardo Clark) considerou inadequada a comparação dada a essa performance do artista nu com a obra da artista plástica (mãe dele).
O próprio filho da artista Lygia Clark (Eduardo Clark) considerou inadequada a comparação dada a essa performance do artista nu com a obra da artista plástica (mãe dele). Afirma ele que estão faxendo mercantilismo com a proposta dela.
Não se pode comparar o incomparável.
Sejamos honestos. O que pretendem, esses grupos?
Onde fica o nosso sentido de vida sustentado nos valores:
Bom, Belo, Justo e Verdadeiro?