Integrantes de movimentos sociais de favelas e familiares de pessoas mortas ou atingidas pela polÃcia realizaram, nesta sexta-feira (26/07), um ato no Largo da Carioca, no Centro do Rio de Janeiro, contra os abusos do Estado. Esta é a quarta edição anual do movimento Julho Negro, uma articulação internacional de combate ao racismo, à militarização e ao genocÃdio.
Participantes não apenas do Rio, mas de outros estados brasileiros e até de paÃses da América Latina, como Venezuela e México, representaram grupos de defesa dos direitos humanos e fizeram parte das discussões no centro da capital fluminense. Eles cobram reparação da violência estatal contra a população pobre e negra.
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Veja o que já enviamosEstou representando um movimento que eu não queria, porque quem quer vestir uma camisa que simboliza a morte do seu filho?
[/g1_quote]De Fortaleza, Edna Carla Souza lembrou a morte de seu filho Alef, então com 17 anos, durante a Chacina do Curió. Em 2015, 11 pessoas foram mortas em represália ao assassinato de um PM durante uma tentativa de assalto, segundo as investigações. Quarenta e cinco policiais estiveram envolvidos na ação contra moradores de Curió e outros bairros de baixa renda da capital do Ceará.
âEstou representando um movimento que eu não queria, porque quem quer vestir uma camisa que simboliza a morte do seu filho?â, afirmou a mãe com lágrimas nos olhos. âOs matáveis estão lá na periferia. Os procurados pelo Estado estão lá. E não precisa dever ao Estado não, basta você ser pobre que você já passa a ser procurado pelo Estadoâ.
Priscila Serra é irmã de um preso recluso no Instituto Penal Antônio Trindade (IPAT), em Manaus, um dos presÃdios que foi palco de um massacre com 55 mortos este ano. Só no IPAT, 25 pessoas morreram. âEstou há 60 dias sem ter notÃcia do meu irmãoâ, contou Serra.
âOs internos sofrem torturas fÃsicas e psicológicasâ, denuncia a jovem. âOs policiais colocam fundo musical para agredir os detentos, chamam as mulheres das famÃlias de âdepósito de espermaâ, há casos de mulheres que descolaram a placenta por conta da revista policial violenta. A humilhação tanto dos detentos quanto dos familiares é constanteâ.
