No comunicado em que assumiu a autoria dos atentados em Paris, o grupo extremista Estado Islâmico afirmou que a cidade era a “capital do adultério e do vÃcio”. Depois que publicou o primeiro post criticando a hashtag #prayforParis, Sfar começou a postar desenhos de músicos em cena, pessoas lendo e celebrando a vida. A mensagem do ex-cartunista do Charlie Hebdo, jornal que foi vÃtima de um ataque terrorista que deixou 12 mortos em janeiro deste ano, dividiu opiniões. O usuário do Instagram junimond 111 classificou a publicação de Sfar  como âa mais racional reação de um dia tão irracionalâ. Outro membro da rede social, nabbyws, acrescentou: âObrigado. Sem palavrasâ.
[g1_quote author_name=”Joann Sfar” author_description=”Cartunista e cineasta” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosAos amigos de todo mundo, obrigado pela #prayforParis (reze por Paris), mas nós não precisamos de mais religião. Nossa fé vai para a música! Beijos! Vida! Champanhe e alegria!
[/g1_quote]Já Lucian Vinatoriu afirmou que o post de Sfar era ótimo, exceto pelo fato de a hashtag #prayforParis se referir à compaixão, não à religião. A usuária blan_dine_b declarou ser um grande fã do cartunista, mas disse pensar âser muito irrelevanteâ associar os atentados a religião. “Esse é o pior erro que as pessoas cometemâ, afirmou. âTemos que tomar cuidado com essa perigosa confusão entre religião e fanatismoâ, ela prosseguiu. âO surgimento desses terroristas fanáticos na França tem a ver com nossa desastrosa polÃtica social dos últimos 50 anos, que levou a fraturas e desentendimentosâ, observou.
Depois de ter publicado o primeiro post, Sfar inseriu em sua conta outras mensagens de texto antes de iniciar a série de desenhos que celebram a vida. âAs pessoas que estão mortas estavam na rua para viver, beber, cantarâ, afirmou o cartunista em uma delas. âEm vez de nos dividir, vocês nos lembram como tudo isso é precioso: nosso modo de viverâ, prosseguiu. Em outro post, publicou o lema de Paris âFluctuat nec mergiturâ, que quer dizer âé sacudida pelas ondas, mas não submergeâ.  No alto deste post, conclamou: âIsso significa merda à morteâ.
No Twitter, o cartunista e diretor de cinema sofreu severas crÃticas e foi xingado. Como a maior parte dos comentários agressivos foi em inglês, ele publicou ontem no Instagram 12 desenhos com mensagens naquela lÃngua para se explicar. “Estou tão triste pelo fato de muitos amigos que falam inglês não terem entendido meu cartoon. Eu não escrevi nada contra suas crenças ou espiritualidade”, afirmou Sfar no primeiro deles. “Meu ponto era: terroristas nos atacaram porque eles detestam nosso modo de viver”, prosseguiu. “Foi por isso que o primeiro pensamento que me ocorreu foi ´vamos beber, vamos fazer sexo, vamos celebrar o que eles odeiam: a vida´”. explicou.
“A maioria dos meus leitores franceses captaram meu ponto de vista porque conhecem meus livros que falam sobre paz entre religiosos e não religiosos. Como vocês podem achar que o autor de “O gato do rabino” pode ser contra a espiritualidade?”, questionou. Na obra, adaptada para o cinema, o gato do rabino Sfar se converte ao judaÃsmo e seu dono (o rabino) tem um amigo islâmico com quem faz uma viagem pela Ãfrica, continente marcado pela diversidade religiosa e cultural. Um usuário americano, registrado no Instagram com o sugestivo apelido de sleepyreagan, apoiou a reação do cartunista: “Continue fazendo o que está fazendo. Nós, americanos, não somos todos ignorantes e reacionários. Existem muitos de nós que compartilham os mesmos sentimentos que os seus”. Até hoje de manhã (17/11), o primeiro post, que desencadeou toda a polêmica, tinha 21.100 curtidas e 1.256 comentários no Instagram.
