Não é de hoje que o Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos em um paÃs) é alvo de crÃticas. O indicador é uma invenção dos anos 1930, mas foi no Fórum Econômico Mundial de 2009 que ele foi declarado insuficiente para avaliar o crescimento socioeconômico dos paÃses. A Costa Rica é um bom exemplo. O paÃs tem um PIB modesto e, ao mesmo tempo, um progresso social de alto nÃvel. O Brasil, por sua vez, está listado entre as 10 maiores economias do mundo e, se for analisado pela ótica do Ãndice de Progresso Social (IPS), o paÃs despenca para a 46ª posição. Se a avaliação levar em consideração as ânecessidades humanas básicasâ, pior ainda: passa a ocupar o 75º lugar no ranking global.
A principal falha do PIB estaria no fato de não medir o bem-estar de uma sociedade. Ainda assim, continua sendo usado como uma referência internacional. O IPS foi desenvolvido pelo professor da Universidade de Harvard Michael Porter, um dos maiores especialistas em competitividade do mundo. Seu diferencial em relação ao PIB está no fato de ser uma métrica que subverte a lógica de que o avanço social de um paÃs decorre apenas do seu sucesso econômico. A combinação de desenvolvimento social e ambiental é o grande diferencial do Ãndice, que captura três dimensões do progresso social: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e as oportunidades. O Ãndice classifica 133 paÃses, dos quais 19 deles da América Latina e Caribe.
[g1_quote author_name=”Glaucia Barros” author_description=”diretora da Avina no Brasil” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]Gostando do conteúdo? Nossas notÃcias também podem chegar no seu e-mail.
Veja o que já enviamosFaz muito sentido para que governos, empresas e organizações sociais tomem melhores decisões e possam medir o impacto efetivo de seus investimentos na qualidade de vida das pessoas e dos bens ecossistêmicos
[/g1_quote]Glaucia Barros, diretora programática da Fundación Avina no Brasil – uma das entidades que ajudou a patrocinar o IPS, criado em 2013 -, considera “valioso ter novas métricas que nos ajudem a identificar as muitas outras riquezas, além da econômica, que se requerem para o desenvolvimento justo, democrático e sustentável”. Acrescenta ainda que o IPS é especialmente interessante para o contexto brasileiro e em tempos de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): “Faz muito sentido para que governos, empresas e organizações sociais tomem melhores decisões e possam medir o impacto efetivo de seus investimentos na qualidade de vida das pessoas e dos bens ecossistêmicos.â
Segurança pessoal é um problema crônico na América Latina e o Brasil é, dos 15 paÃses com PIB equivalente, o que apresenta um dos piores indicadores neste campo. O paÃs ocupa a 123º posição. O déficit habitacional brasileiro também empurrou o paÃs para baixo: 77ª posição. Quando o assunto é qualidade ambiental (que incluà avaliação sobre poluição do ar, tratamento de rios, biodiversidade e emissão de gases de efeito estufa), o Brasil é considerado um paÃs mediano. Apesar disso, o Brasil lidera o grupo dos BRICS, seguido por Ãfrica do Sul, Rússia, China e Ãndia. Exceto o Brasil, cujo avanço social, na 46ª posição, é mais alto do que seu PIB per capita (54ª), todos os BRICS têm baixo desempenho no IPS. Já em relação aos paÃses da América do Sul, o Brasil ocupou a 4ª posição, ficando atrás de Chile, Uruguai e Argentina.
O Pará é o único estado brasileiro que adotou os resultados do IPS Amazônia, apurados pelo Imazon, para balizar seu plano plurianual. O Paraguai foi o primeiro paÃs do mundo a adotar o IPS como um indicador para avaliar as necessidades sociais de seus cidadãos, informando e monitorando investimentos e decisões de gastos.
