à carnaval, época em que muitas pessoas saem nas ruas em busca de diversão e entretenimento. Mas sabe o que não é nada divertido, pelo contrário muito desrespeitoso? Quando nessa época as pessoas se fantasiam de âÃndioâ.
Ainda bem que estamos aqui pra descomplicar, sendo referências nos assuntos que são nossos, protagonizando as nossas pautas.
O primeiro ponto relacionado à fantasia de Ãndio, remete logo ao nome. Ãndio é um termo pejorativo e errado – dado pelos colonizadores quando invadiram o Brasil – que não traduz toda a nossa diversidade. Quando as pessoas usam esse termo, elas remetem a somente um povo, invisibilizando, por ignorância, os mais de 305 povos indÃgenas que, com sua diversidade, vivem no Brasil.
Usar o termo também traz adjetivos com estereótipos construÃdos pela colonização, e reproduzidos por muito tempo nas escolas e veÃculos de comunicação como âÃndio preguiçosoâ, âÃndio sem almaâ, âÃndio anda nuâ.
Geralmente, quando as pessoas usam da nossa identidade no carnaval, elas também usam o termo âtriboâ que também é errado e não condiz com a nossa organização social. Somos Povos, segundo a Constituição, nos artigos 231 e 232. Pois cada povo tem lÃngua, cultura, território e identidade diferentes.
Acompanhe seu colunista favorito direto no seu e-mail.
Veja o que já enviamosDescontruindo termos: o correto é falar Povos IndÃgenas.
Agora vamos à s fantasias. Geralmente quando as pessoas usam “fantasia de Ãndio” para brincar o carnaval, elas deturpam nossas imagens e reproduzem estereótipos que nós tentamos descontruir há séculos (como os termos já citados acima), além de usaram um português errado para âimitar” um indÃgena como falar âmim ser Ãndio mauâ, âmim ser Ãndia braba: nós não falamos assim.
Outra situação, esta relacionada à fetichização dos nossos corpos: a nudez do carnaval atrelada à nossa identidade, objetifica o corpo da mulher indÃgena e banaliza toda violência sofrida no processo colonizador, como o estupro das nossas ancestrais.
Quando se fantasiam, também descaracterizam as nossas pinturas e adereços que podem ser sagradas; nossas pinturas podem remeter a diferentes situações de nossas vidas – como rituais e casamentos – ou indicar status social na aldeia como caciques, tuxauas, mulheres casadas, solteiras, homens casados e solteiros. Elas não podem ser reproduzidas sem sentido e/ou propósito.
Isso vale para os adereços como colares, brincos e cocares, que remetem a respeito e status social e não devem ser banalizados. E sim respeitados.
Mas como eu posso homenagear os povos indÃgenas? Vale começar nos ajudando a descontruir estereótipos e lutando conosco as nossas lutas e pautas – como a pauta indÃgena e ambiental em defesa da vida – e nos reconhecendo enquanto povos originários do Brasil.
