Existem muitas vertentes relacionadas a luta ambiental, que é a luta pela vida, a curto e longo prazo, para povos indÃgenas e não indÃgenas, direta e indiretamente, na teoria e na prática, no Brasil e no mundo.
No dia 17 de janeiro, vimos a notÃcia da prisão, em uma mina de carvão na Alemanha, da ativista ambiental Greta Thunberg, a jovem conhecida por seus atos em prol de um mundo mais limpo e mais sustentável para nossa geração, que denuncia empresas responsáveis por crimes ambientais e o posicionamento dos grandes lÃderes mundiais quanto à crise climática.
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Nas fotos, vimos a ativista sorrindo enquanto estava sendo carregada por policiais. O que me leva reflexão: que perigo essa menina traz à sociedade para ser carregada e escoltada como criminosos? Isso nos faz pensar nos perigos da luta pela vida. Do quanto somos violentados, enquanto sociedade, na defesa do bem comum, dos direitos fundamentais – a liberdade de expressão, a terra, a vida.
Quando nos conhecemos em 2020, estávamos em uma campanha de arrecadação de alimentos e insumos para as comunidades indÃgenas e ribeirinhas da Amazônia com a campanha SOS Amazônia. Desde lá acompanho seu ativismo pelo mundo, seus discursos, atos, manifestos e penso o quão também é diferente a questão no Brasil.
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Veja o que já enviamosNo Brasil, o perigo do ativismo ambiental e indÃgena é eminente
No ano passado, vimos a crueldade com que os ativistas ambientais que tinham como propósito de vida a luta em favor dos povos indÃgenas do Vale do Javari, aqui no Amazonas, na Amazônia brasileira, foram tratados. Foram torturados e tiveram suas vidas ceifadas. Quanto vale a vida de quem defende a Amazônia?
Este cada dia mais difÃcil defender o território e os biomas, defender a fauna, a flora e a vida dos nossos povos. No mesmo ano do assassinato de Bruno e Dom, tivemos ainda o assassinato de vários indÃgenas guardiões de seus territórios, ameaçados pelo garimpo, por fazendeiros, grileiros e traficantes – um exemplo é bem retratado no filme âO territórioâ.
No mesmo dia da prisão de Greta, nós, indÃgenas aqui no Brasil, sofremos mais um golpe – o assassinato de mais dois indÃgenas. Dois jovens do Povo Pataxó tiveram suas vidas ceifadas na Terra IndÃgena Barra Velha, na Bahia, perseguidos e alvejados por pistoleiros a serviço de fazendeiros com quem é comum o conflito por território na região.
Onde essas histórias se cruzam? Primeiro, pensemos com que respeito aos direitos fundamentais tratam os defensores da vida? Para ativistas da Europa. pode ser uma prisão; e, para nós, são nossos corpos sem vida no chão. Segundo: quem realmente oferece perigo? Por que atos de protesto feitos pelos defensores da vida são brutalmente coibidos e, quando são feitos pelos que atuam contra o meio ambiente e a vida dos povos originários, são tidos como âdemocráticosâ?
