O Brasil tem leis rigorosas sobre o uso de cigarros e, por isso, pode parecer improvável que o consumo de tabaco volte a se tornar uma epidemia no paÃs. Apesar de os malefÃcios do cigarro à saúde, porém, a tecnologia aliada à desinformação faz com que o tabaco volte à moda em diversos paÃses do mundo, principalmente entre os jovens. São os cigarros eletrônicos, também conhecidos como e-cigs ou vapes, que já movimentam milhões de dólares no mercado internacional. Sua comercialização é proibida no Brasil, mas o produto é vendido clandestinamente.Â
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Veja o que já enviamosOs dispositivos parecem pen-drives e produzem um vapor inalável de nicotina quase sem odor, compatÃvel com refil de diversos sabores. A lÃder do setor é Juul Labs, que, desde 2017, vem revolucionando o mercado de produtos de tabaco, atraindo jovens abaixo de 25 anos, com investimento em publicidade e flavorizantes que mascaram o gosto do tabaco. A empresa esperava lucrar US$ 3,4 bilhões em vendas em 2019, quase o triplo do ano anterior. A expectativa é ambiciosa, já que a Juul vem sofrendo com diversos processos, alertas e proibições em diversos paÃses do mundo, como Israel, Ãndia e Estados Unidos, por meio do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Em janeiro, a Agência de Drogas e Alimentos de Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) anunciou que a partir de fevereiro não serão permitidas as vendas dos refis com outros aromas que não o tabaco e o mentol, a menos que tenham obtido uma autorização especÃfica das autoridades.
[g1_quote author_name=”Adriana Gioda” author_description=”Professora PUC-Rio” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]
Está tão fácil o acesso no Brasil que as pessoas não sabem que é proibido. Nos Estados Unidos pode, na Europa é liberado, e eles acham que aqui também é
[/g1_quote]Os Estados Unidos é o paÃs mais afetado pela nova epidemia. Autoridades do CDC já registraram, no mÃnimo, 12 mortes e 800 internações por doenças pulmonares causadas pelo fumo dos cigarros eletrônicos. O crescimento é recente e rápido: uma pesquisa do governo americano, publicada em outubro de 2018, mostrou o aumento de 641% nas vendas de produtos Juul, de 2,2 milhões para 16,2 milhões de dispositivos vendidos de 2016 para 2017.Â
O levantamento mostra também que 3,6 milhões dos usuários americanos ainda estão na fase escolar. Para atender melhor os pacientes que chegam aos hospitais, médicos americanos estão sendo orientados a mudar as perguntas feitas na anamnese. âSe perguntam para um jovem se ele fuma, ele vai responder que não. Eles se consideram vapers, e o ato de fumar estaria relacionado somente ao cigarro tradicionalâ, conta Gisele Birman Tonietto, doutora em quÃmica e professora da PUC-Rio.
Dispositivo chega a custar R$ 300
No Brasil, a comercialização e importação dos produtos é proibida desde 2009 quando foi publicada a RDC Nº 46 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Porém, é possÃvel encontrar os dispositivos à venda em contas de Instagram e em sites como Mercado Livre. Um Juul, que custa US$ 15 nos Estados Unidos, chega a ser vendido por R$ 300 em comércios brasileiros. Além do vape em si, o usuário ainda precisa comprar um carregador e os refis.
âEstá tão fácil o acesso no Brasil que as pessoas não sabem que é proibido. Nos Estados Unidos pode, na Europa é liberado, e eles acham que aqui também éâ, diz Adriana Gioda, também professora de quÃmica da PUC-Rio. A Anvisa orienta que denúncias sobre a venda ou propaganda de produtos contrabandeados podem ser feitas aos seus canais de atendimento. Porém, segundo o órgão, os estabelecimentos fÃsicos são fiscalizados pelas vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, que também podem receber denúncias. Sobre os sites e páginas que comercializam os produtos, a Anvisa afirma que monitora a internet regularmente e que, desde 2017, já retirou 727 anúncios de Dispositivos Eletrônicos para Fumar do ar.Â
O mais comum é que jovens consigam os dispositivos e os refis por meio de amigos e conhecidos que viajam muito ao exterior e trazem para o Brasil. A estudante de Administração Beatriz Carvalho, de 20 anos conheceu o Juul por meio de seu ex-namorado, que estuda nos Estados Unidos e trouxe o produto quando veio de férias em 2018. Depois disso, Beatriz comprou seu próprio vape e consegue os refis no Brasil com um amigo que sempre traz de fora e revende.Â
[g1_quote author_name=”Gisele Birman Tonietto” author_description=”Professora PUC-Rio” author_description_format=”%link%” align=”left” size=”s” style=”simple” template=”01″]O maior mito sobre os cigarros eletrônicos é o de que eles não fazem mal
[/g1_quote]âHoje eu fumo muito em casa quando vejo série, em festas e na faculdade porque não deixa cheiro. Depois que vi as notÃcias dos casos nos Estados Unidos, pensei em diminuir o uso, mas é muito difÃcil porque é uma coisa que já faz parte da minha rotinaâ, conta Beatriz.
âO maior mito sobre os cigarros eletrônicos é o de que eles não fazem malâ, alerta Gisele, que, junto com Adriana, já deu diversas entrevistas, palestras e organizou seminários para discutir os perigos do cigarro eletrônico e a epidemia que preocupa autoridades de saúde em todo o mundo.Â
Os vapes são vendidos com a promessa de que são menos nocivos que o cigarro tradicional, com a intenção de serem usados por fumantes que querem um produto com nicotina que tenha menos toxinas. Porém, a própria Juul foi autuada pela Food and Drug Administration (FDA), órgão que regula e controla alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, por fazer propaganda dos produtos dizendo que são completamente seguros, sem ter nenhuma pesquisa cientÃfica que prove a afirmação.
Não há como comprovar segurança
Por ser uma epidemia muito recente e a tecnologia dos dispositivos mudar constantemente, ainda não há estudos que comprovem que os e-cigs ajudem a diminuir o consumo de nicotina. A última pesquisa feita pelo Ministério da Saúde, por meio do Instituto Nacional do Câncer (Inca), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Anvisa em 2016, concluiu que não há como atestar a segurança dos dispositivos por falta de evidências cientÃficas.Â
A estudante de Direito Julia Lattouf fumava cigarro socialmente e começou a usar o Juul porque ouvia que fazia menos mal. âQuando percebi, estava fumando o vape em situações em que eu não fumaria cigarro tradicional, como quando estou sozinha em casa, porque eu acreditava que era mais seguroâ, conta. A jovem diz que quando viu as notÃcias dos casos de morte e internação nos Estados Unidos, percebeu que era a mesma situação do cigarro há anos atrás. âNa época em que meus pais começaram a fumar, ninguém sabia das consequências. Só saberemos dos efeitos do cigarro eletrônico a longo prazo. Conheço muitas pessoas que nunca fumaram cigarro e, hoje, fumam Juul o dia inteiroâ, afirma.
Anvisa avalia regulamentação
A proibição está em vigor no Brasil há dez anos, mas a Anvisa está realizando discussões sobre a regulamentação dos cigarros eletrônicos no paÃs. Debates e audiências públicas já estão acontecendo, e são ouvidos médicos e pesquisadores e a indústria do tabaco. âEsse debate já estava na agenda da Anvisa há dois ou três anos, mas não estavam com muita pressa. Agora, eles viram que perderam o controle e aceleraram essa discussão públicaâ, diz Adriana.Â
As duas professoras e pesquisadoras têm representado a PUC-Rio nos debates públicos e alertam para os perigos da falta de regulamentação dos produtos. âEnquanto não se regulamenta, se encontra de tudo. Problemas são mais prováveis com produtos de fundo de quintal, com baterias de procedência desconhecida, que podem explodir a qualquer momento, ou essências misturadas sem fiscalização. Quando não tem regulamentação, não há controle de qualidadeâ, enfatiza Adriana.Â
A necessidade da regulamentação vai além do fim da compra e venda ilegal, já que dispositivos produzidos sem controle podem ser uma ameaça ainda maior para a saúde. A nicotina presente em ambos os cigarros tradicional e eletrônico pode não estar relacionada ao câncer, mas é importante entender que é uma droga psicoativa que causa dependência e danos ao corpo.Â
Os vapes têm menos toxinas que cigarros os tradicionais, mas por causa da falta de pesquisas conclusivas não é possÃvel afirmar o quanto mal fazem à saúde. âQuando não se sabe como aquilo vai ser queimado, gera uma infinidade de produtos quÃmicos que podem ser cancerÃgenosâ, explica Adriana. Por exemplo, dispositivos de alta voltagem que atingem altas temperaturas sem controle podem transformar os componentes propileno glicol e glicerol, presentes em quase todos os lÃquidos de vapes, em substâncias cancerÃgenas como o formaldeÃdo.Â
Em setembro de 2019, a Anvisa solicitou que 252 hospitais e profissionais de saúde, além do Conselho Federal de Medicina (CFM), relatassem problemas relacionados ao uso de cigarros eletrônicos, vaporizadores e cigarros de tabaco aquecido. Com a medida, a Agência pretende reunir informações para prevenir uma crise epidêmica no Brasil, como tem enfrentado os Estados Unidos.

E pensar que varias pessoas param de fumar graças aos cigarros eletronicos, e que estes são de 95% a 99% menos prejudiciais que o cigarro. Qual a justificativa do cigarro continuar liberado e os cigarros eletronicos não?
A materia não fala que a morte foi causado pelo uso de THC falsificado no lugar dos liquidos apropriados. Não existe até agora 01 morte causada diretamente pelo uso dos liquidos especificos.
A jornalista que escreveu a materia nao procurou se informar apropriadamente, falando de cigarro eletronico de forma extremamente generica, onde mistura o vape comum que ajuda e muito quem fuma com os de uso direcionado a maconha (E são estes que podem matar), cigarro eletronico nao é tudo a mesma coisa, parem de falar como se fossem, se informem melhor.
Péssima matéria. Já começou falando em “tecnologia aliada à desinformação faz com que o tabaco volte à moda”. Que tabaco? Pod e vape não vai tabaco. Fora o resto dos absurdos falados, destorcidos e manipulados. Procure se informar melhor sobre antes de redigir um texto